Atropelado. Assim me pareceu o curso de cine Iberoamericano. Vimos basicamente as pelis mais importantes de Brasil, Argentina, México, Cuba e Espanha até os anos 60. Assistimos uma comédia mexicana com Cantinflas (o Grande Otelo deles), um melodrama também mexicano chamado “Maria Candelária”, “Lucia” - um ótimo épico cubano em 3 episódios, e “Macunaíma”. O resto foram apenas trechos durante as aulas, referências de filmes, um pouco da história do cinema novo, etc.  Embora o curso tenha seu enfoque maior nos brasileiros, o mais interessantes me pareceram os cubanos, com filmes como “A Morte de um Burócrata” de Humberto Solas, e de outros tantos do gênio Tomas Gutierrez Alea.
Tivemos uma projeção especial do filme uruguaio “Hiroshima” (2009), dirigido por Pablo Stoll – o mesmo de “25 Watts” e “Whiskey”. A projeção aconteceu por que o produtor e editor da peli, Fernando Epstein, está dando um curso na escola. O filme é do caray e foi gravado em apenas 2 semanas. Mostra um dia na vida de um jovem que canta em uma banda de rock – interpretado pelo irmão de Stoll – o vazio do seu cotidiano, e o marasmo que precisa enfrentar para finalmente lograr se comunicar através da música. Os poucos diálogos do filme nos são apresentados em carteles como de cinema mudo – recurso que gerou controvérsias entre os espectadores, mas que me pareceu bem apropriado.  O mais interessante do filme, que trabalha muito bem alargamentos temporais, é que somos apresentados ao cotidiano vazio desse jovem de uma maneira realista, que, aos poucos, vai transitando de uma maneira sutil e natural para o absurdo e o fantástico sem que o espectador se dê conta. Elementos delirantes como uma partida de futebol que nunca acaba e frangos assados que nunca ficam prontos dão esse toque especial. Além disso, um grande filme de sonido.
Nessa onda minimalista, vi por conta própria o mexicano “Lake Tahoe”, um conto sobre a superação da morte. Outro grande filme que trabalha muito bem alargamentos temporais, também recente, que há que ver. Sinto falta de coisas minimais assim no cine brasileiro, que vem me parecendo cada vez mais histérico e histriônico – com ótimas exceções, claro. Vi também a primeira peli de Fassbinder, “O amor é mais frio do que a morte”, que me pareceu boníssima para uma ópera prima.
Domingo fui à Havana assistir a peça “A Visita da Velha Dama”, do grupo BuenDía. Bela montagem, mais uma crítica apropriada à revolução.
Segunda começaremos um curso intenso de produção. Dizem que bastante intenso: do tipo manhã, tarde, noite, madrugada e fins de semana. Não vejo a hora de que chegue dia 3 de dezembro para o Festival de Havana. Sei que 3 brasileiros estão competindo. “À Deriva”, de Heitor Dhalia, filme que vi poucos antes de sair do Brasil e de que gostei muito. “Viajo por que preciso, volto por que te amo”, de Karin Ainouz e M.Gomez e “Hotel Atlântico”, de Suzana Amaral, que já foi uma querida professora. Em breve, coloco a programação completa por aqui. 

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